O dia a dia de um gcm na “Cracolândia”

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Sob um regime disciplinar rigoroso que exige uma conduta, na vida pública e particular, que dignifique a função pública, apresentação pessoal irretocável e inúmeras renúncias diárias de emoções para que a legalidade possa aparecer de maneira tão cristalina como água da fonte, diariamente dezenas de guardas civis assumem o perímetro conhecido como “Cracolândia”, local que é alvo de opiniões de muitos e atitudes de poucos.

Uma reunião antes do deslocamento até a região tenebrosa, quase sempre voltada para o aprimoramento operacional e a redução das margens de erros, discussões a respeito dos anseios dos moradores e um breve debate jurídico a respeito dos direitos daqueles que violam o interesse público e desrespeitam a democracia, mas que são defendidos por bandidos que trabalham, exclusivamente, com a rigidez formal das leis para distorcê-las em desfavor da corporação.

É triste, mas é real, o guarda precisa saber o “direito” daqueles que não cumprem seus deveres. Após o choque de realidade, quase sempre chega a notícia de que um colega de outro plantão foi ferido durante uma “virada de fluxo” ou ao tentar efetuar uma prisão, fato que é ignorado pela grande mídia e por boa parte da sociedade no momento de analisar as questões relacionadas a tão polêmica “Cracolândia”.

  • Ao embarcar no ônibus, homens e mulheres enfrentam a incerteza de qual será a adversidade do dia, a única certeza é a de que em suas casas há pessoas aguardando ansiosamente pelos seus retornos.

Familiares que sofrem quando acompanham notícias sensacionalistas e tendenciosas a respeito da região e comentários pejorativos em desfavor dos guardas civis.

No dia 03/06 a viatura da GCM foi recebida a tiros. Por sorte nenhum GCM saiu ferido.
No dia 03/06 a viatura da GCM foi recebida a tiros. Por sorte nenhum agente foi ferido.

Sorrisos e conversas amenas durante o trajeto é a forma de minimizar o sofrimento, mas ao chegar na Rua Barão de Piracicaba é possível observar as primeiras pessoas desacordadas no chão enquanto outros fumam seus cachimbos de crack e ignoram a presença de outros usuários que improvisam a alimentação no mesmo ambiente.
Cenas deploráveis que envolvem, inclusive, idosos e crianças.
Ao chegar na Rua Helvétia os ânimos dos toxicômanos se exaltam, são perceptíveis as hostilizações, ameaças e sarcasmos, mas os agentes já estão acostumados, atentam-se apenas para as movimentações que realmente possam representar riscos.

Ao desembarcar é comum os olhares dos curiosos que acabam servindo de palco para os frequentadores locais que, oportunamente, quando passam próximos aos agentes, escarram, jogam lixos e proferem palavras ofensivas, tudo isso em notória tentativa de desestabilizar as emoções dos guardas para que cometam erros.

É a forma dos marginais agirem, provocam para filmar algo condenável.
Quando o guarda civil coloca os pés na “Cracolândia” são iniciados, diariamente, verdadeiros testes psicológicos, a julgar pelo fato de que a todo instante sofre afrontas através de desobediências e atitudes de oposição.

Para minimizar as consequências do abandono das demais autoridades que há na região, a Prefeitura estabelece notas de instrução para favorecer a higienização, a ocupação do espaço público e a segurança.
Por razões óbvias, a maioria das medidas são executadas pela Guarda Civil Metropolitana que acaba sendo alvo de críticas, denúncias caluniosas e todo tipo difamação por parte daqueles que tem interesse na manutenção do tráfico de drogas.

Sim! A manutenção e a permanência do tráfico de drogas são interessantes não só para bandidos declarados, mas também para os bandidos não declarados, todavia é um assunto que não cabe aos agentes quando estão no exercício de suas funções porque exige investigação.

A corrupção que não é investigada é só mais uma indignação a ser tolerada pelo GCM.

Durante a realização do policiamento preventivo, geralmente bem próximo do coletivo que frequenta o fluxo, são horas passando orientações a respeito de posturas municipais, da proibição em urinar e defecar nas ruas, inibindo vandalismo e tirando paus, pedras e objetos perfurocortantes das mãos de homens e mulheres totalmente transtornados, em algumas ocasiões as ações terminam com um gcm ferido e consequentemente submetido a tratamentos árduos.

Não são raras as ocasiões em que os usuários desobedecem e resistem as ações dos agentes que são obrigados a fazer uso da força e, por óbvio, sempre aparece um hipócrita que, ao invés de ser testemunha do ocorrido, registra imagens e divulga apenas a parte em que os meliantes estão sendo combatidos.

Hipócritas que trabalham firme no propósito de denegrir a imagem da GCM, mas nunca filmaram um roubo ou o traficante com suas “lojinhas” montadas em frente a Estação Júlio Prestes.

É fácil registrar uso da força na “Cracolândia”, tendo em vista que os frequentadores são agressivos, agressividade que parece ser proibida de ser divulgada nas redes sociais e na grande mídia.

O que esperar de um coletivo de drogados?
Gente imoral, sem ética e sem caráter que faz denúncias, mas sempre sem o nome da vítima, registram suas inverdades sob o manto de nomes coletivos, acusações feitas por homens e mulheres incapazes de assinar um termo de depoimento.

O guarda civil que trabalha na “Cracolândia” tem que lidar com denúncias feitas por facínoras da internet, anônimos e redes de televisão que já não possuem nenhuma credibilidade.

O gcm não tem acesso ao nome de um denunciante para poder representá-lo junto ao Ministério Público, tendo em vista que são denuncias feitas por covardes que agem de má-fé, pessoas que jamais apresentarão seus documentos em uma denúncia.

Na hora em que é efetuada a limpeza as ruas são bloqueadas para prestação do serviço, momento em que além dos marginais e dos toxicômanos, surgem os moradores com seus “direitos” e definindo o que a gcm pode e não pode fazer.

Moradores que falam em direitos, das atribuições da gcm e de seus problemas particulares, mas não sabem responder uma pergunta a respeito do interesse coletivo, do estatuto das guardas municipais e as razões daquela ação na região, portanto são apenas pessoas que se juntam aos toxicômanos e aos bandidos locais para deixar o serviço ainda mais conturbado e estressante.

E quando o fluxo de usuários fica agitado, o gcm sabe que ocorrerá um distúrbio na região, um enfrentamento, mais de mil pessoas atacando de vinte a trinta guardas e vitimando qualquer pessoa que estiver no caminho.
O fluxo vira, o distúrbio ocorre e para dispersá-los são lançadas granadas de gás, inclusive uma química que os próprios guardas sentem o efeito, talvez um fato que a maioria dos bandidos da internet e da grande mídia não pararam para analisar.

Os guardas também sofrem os efeitos dos gases!
Pedras, paus, bombas incendiárias e gente para ser socorrida.
Um cenário apocalíptico e pessoas inescrupulosas filmando a ação para poder registrar denúncias anônimas que, em razão das inconsistências, não resultam em nada, mas mancham a imagem da instituição porque a maioria das pessoas guarda na mente apenas a acusação e não o teor e o desfecho.

Uma realidade que poucos conhecem:

  • Segurar um escudo recebendo pedradas, ouvindo barulhos que podem ser fogos de artifício ou disparos de armas de fogo, correndo risco de ter o corpo queimado por uma bomba incendiária (coquetel molotov) e tolerar falsos agentes de direitos humanos tomando a frente das ações defensivas e publicando mentiras nas redes sociais.
  • E quando o guarda civil conduz algum meliante ao distrito policial tem que lidar com incompreensão de muitos que lá estão, autoridades que, em muitos casos, demoram em recepcionar a demanda e fazem do livre convencimento motivado, um livre convencimento do próprio interesse, ou seja, a Polícia Judiciária age como juíza e não como investigadora, quase sempre colocando empecilhos e ignorando o que disciplina processo penal.
  • Um sistema em que o desleixo tomou conta e a supremacia do interesse público dá lugar as vontades de ocupantes de cargos públicos.
  • Apresentar uma ocorrência é quase o mesmo que vivenciar uma audiência na condição de réu!

O guarda civil metropolitano trabalha ciente das limitações de todos que estão a sua volta, ignora expressões como:

“Você não pode!”,
“GCM não é polícia”
“É opressão!”

Não é razoável exigir que as pessoas saibam distinguir o poder de polícia da nomenclatura polícia, definir conceitos de uso moderado da força, legítima defesa entre outros que fazem parte da rotina da região.
Quase sempre ao término do serviço os agentes estão esgotados, são muitas as ocasiões em que não há tempo nem ao menos de comer um lanche, mas há os que visualizam uma viatura parada em frente a lanchonete e fazem comentários depreciativos, por vezes registram fotos daquele momento que é mera exceção.

  • É uma vitória quando todos voltam isentos de lesões e sem sintomas como dores na cabeça, na coluna ou dores no estômago que, certamente, são consequência do estresse ou do excesso de tempo sem comer.

A Guarda Civil Metropolitana e o Poder Judiciário recebem denúncias a respeito de truculência, abusos, em contrapartida não há números que apontam letalidade por parte da instituição.

O mesmo não pode ser dito dos frequentadores do local, considerando que já ocorreram muitas mortes violentas entre eles, além de homicídios de policiais e tiros contra os agentes.

Trabalhar na “Cracolândia” é lidar com a injustiça do poder paralelo e do Estado.

Os guardas tem o dever de estar lá, mas “outros” querem aparecer lá, tirar fotos, postar nas redes sociais, dar entrevista no programa do Datena.

Os processos são para os guardas civis, as entrevistas e as redes sociais para delegados e oficiais da PM.

Encerrar um dia de serviço naquela região é gratificante, é conhecer a honradez no anonimato e a verdadeira face da injustiça, conhecer o lado mais sujo do munícipe que quer defender ou esconder o parente maconheiro, lidar com o padre que olha para o crime e fica incomodado com o fato de estar sendo visto corroborando com o erro, é ver agentes públicos em conversas estranhas com pessoas de índoles duvidosas em lugares ocultos.

Estar na “Cracolândia” na condição de guarda civil é ver o Brasil “sem maquiagens” e enfrentar sua ira para que a verdade não apareça.

Ser gcm na Cracolândia é ouvir o que não merece, ser acusado caluniosamente, descobrir que bandidos tem muitos amigos ocupando bons cargos e ter a pior experiência no que se refere a imprensa e a política.
Respeite o guarda civil e só manifeste algo a respeito do seu trabalho após ouvir todas as partes, porque os ataques aos agentes é justamente porque eles são os que sabem muito por ver demais.

Denúncias feitas por gente que se esconde atrás de “grupinhos”, sem a presença de depoimentos e vítimas que nunca aparecem.
Ser atacado e não atacar, defender-se e ser acusado de atacar!
É o dia a dia do guarda civil metropolitano que trabalha na “Cracolândia”.

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